Mariana sempre foi ativa na igreja: catequese, pastoral, missa aos domingos, tudo fazia sentido enquanto a família parecia inteira. Quando o divórcio chegou — acompanhado de traição, mágoas e julgamentos — ela não perdeu só o marido, mas também o chão e, aos poucos, o vínculo com a comunidade. Comentários sussurrados nos corredores, olhares de reprovação e frases como “casamento é para sempre” ecoavam em sua mente como feridas abertas. Um dia, simplesmente decidiu: “Não volto mais. Deus deve estar decepcionado comigo.”
Passaram-se meses, depois anos. A Bíblia ficou fechada na gaveta, o terço esquecido na cabeceira, e a oração virou um silêncio pesado. Mariana acreditava em Deus, mas se sentia indigna. “Sou um fracasso”, repetia em pensamentos. Até que, certa noite, rolando o feed do celular sem rumo, viu a transmissão de um pequeno grupo de oração da paróquia que um dia foi sua casa. Não eram sermões duros, mas rostos simples, cantando e acolhendo pedidos de oração. Uma frase a atravessou como flecha suave: “Aqui ninguém é caso perdido, todos são filhos amados.”
Curiosa e desconfiada, ela entrou silenciosamente em uma das reuniões presenciais, sentando-se no fundo, pronta para ir embora ao primeiro olhar de reprovação. Mas o que encontrou foi o contrário: um sorriso sincero na porta, um “que bom que você veio”, um abraço que não fez perguntas sobre o passado. Durante a partilha, ouviu outras histórias de dor, recomeço e cura. Quando alguém mencionou a passagem de Isaías 43, onde Deus diz “Eis que faço nova todas as coisas”, Mariana sentiu como se aquelas palavras fossem escritas diretamente para ela.
Entre um encontro e outro, o coração foi se descongelando. O grupo não tentou apagar sua história, mas caminhou com ela em meio às cinzas. A cada oração, ela deixava um pouco da culpa e pegava um pouco mais de esperança. Voltou a comungar, a ler o Evangelho, mas agora com outro olhar: não como alguém perfeito tentando manter uma imagem, e sim como uma filha ferida, acolhida por um Pai que não a abandona. Ali, descobriu que Cristo não é um juiz distante, mas um médico que toca justamente nas feridas que mais escondemos.
Hoje, Mariana ajuda a acolher novas pessoas no mesmo grupo de oração que a resgatou. Olhando para trás, ela diz: “Não foi o divórcio que definiu minha vida, foi o reencontro com Jesus.” Suas cinzas viraram terreno fértil para uma fé mais madura, mais verdadeira e mais misericordiosa com os outros e consigo mesma. Em vez de carregar o rótulo de “fracasso”, ela carrega agora um testemunho vivo de renascimento.
Convite ao recomeço em Cristo
- Se você se afastou da igreja por dor, vergonha ou medo de julgamento, lembre-se: a história não terminou, Deus ainda escreve novos capítulos.
- Procure um grupo de oração, uma pastoral ou uma pequena comunidade onde haja mais acolhimento do que perguntas; muitas curas começam com um simples “posso rezar por você hoje?”.
Oração de quem deseja recomeçar
Senhor Jesus,
Tu que me conheces por dentro e sabes das minhas quedas, acolhe a minha dor, a minha história e tudo o que eu não consigo perdoar em mim. Não quero mais viver longe de Ti por causa da culpa e do medo.
Conduz-me a lugares e pessoas que sejam instrumentos do Teu amor, para que eu experimente, de verdade, o recomeço que o Teu Evangelho anuncia. Que, em Ti, minhas cinzas se tornem nova vida, e que a minha história, marcada pela dor, se transforme em testemunho de esperança para outros corações feridos.
Amém.